среда, августа 24, 2005

talvez lisboa seja a cidade acertada para esta nostalgia de esplanada.

tenho a certeza que nos vamos dar bem, pensou. e com isso abriu o jornal e ficou à espera. à espera que o mundo a salvasse, lhe indicasse o caminho mais curto para a tranquilidade e outra forma mais ligeira de atravessar o inverno.
a certeza.o problema começava logo aí, como é que se faz para viver de acordo com uma certeza?as certezas são um ponto de partida, ao que chegamos sempre é à dúvida. depois disso, a morte e ninguém anda aqui sempre a correr para o mesmo lado, se fecharmos os olhos inda vemos luzes, rostos até.

serve de pouco o sono ou a morte, o mundo está todo escrito do lado de dentro, não é?
tenho a certeza que nos vamos dar bem, aqui nesta esplanada, lisboa em agosto é muito quente e a mim apetece-me bem mais um abraço que um verso.

a nossa conclusão é esta: somos muito melhores do que as nossas probabilidades.e o mundo, assim como o lemos, é este balanço entre retórica, silogismos arrendondados e um cartesianismo que ninguém nos perdoa.
o sentimentalismo, esse, escondemo-lo devagarinho e fazemos de conta que não demos conta de nada.tenho a certeza que nos vamos dar muito bem.