суббота, сентября 06, 2008

banda sonora

parece que já fui mais velha. sento-me quieta no canto mais quieto da casa e assisto.
estou à espreita. é tudo muito ínfimo, como as memórias mais antigas, como uma flor que já morreu mais ainda mantém todas as pétalas.
um sopro e a casa pode-me cair, desfeita, por cima do coração. é difícil saber que somos assim tão escassos.




вторник, ноября 01, 2005

patologia dos 27

ousei sair de casa sem maquilhagem. nada.
depois encontrei casualmente um espelho e tive muita vontade ter à mão um pronto-socorro de base hidratante, rímel e gloss.

понедельник, октября 31, 2005

olha como somos tão melhores ontem, olha como já passámos de moda, roupa cansada, esta roupa cansada vestida, despida, encenada, esta roupa cansada----------- a nossa pele, as nossas mãos a transpirarem tanta solidão que é como ir pelo caminho errado e só parar na infância: estamos grandes demais no único lugar onde ainda podíamos ser cobardes. não me apontes a faca ainda. esta ideia de morte sempre diante dos olhos. os meus sovacos também, os meus sovacos cheiram à minha morte. que aconteceu à nossa festa, ao dizer que estava frio ser mentira só para ficar mais perto, a vida toda à procura disto, deste estar tão inanimadamente feliz, mas é isto que temos, é só isto? o silêncio duma morte sem batalha, dum céu sempre a chover, ah, se tu ouvisses como chove, chove, chove tanto dentro dos meus olhos, chove muito para dentro e eu encharcada e sem casa sem destino, assim, só isto, a roupa cansada, as frases todas feitas e o sorriso eternamente sem destinatário. que aconteceu que já foi mais fácil? podia ser para estar perdido, enganado, podia ser até alguma coisa parecida com a maldade, uma vontade de te fazer muito mal porque sabíamos, isto que eu já fui e tu já soubeste, sabíamos que antes de doer eu calava tudo e os espelhos voltavam a ser só espelhos e as casas onde dormíamos apenas casas.
sei todos os teus gestos, vais acordar e acender todas as luzes, renegar a escuridão tão teimosamente que só me resta fazer de conta que ainda sei como é o teu lado.
esta roupa cansada vestida, despida, encenada, esta roupa cansada, o cheiro da morte nos meus sovacos, eu à espera que me mates, e tu só à espera de me voltar a ver.

понедельник, сентября 26, 2005

mudar de casa

que é como quem diz, trocar a solidão de lugar.

воскресенье, сентября 25, 2005

nem um ano se passou
e já não posso repetir-te
i´d rather burn
than swim
across emptiness.

em que escala

será mensurável a minha idiotice?

adelaide

ajardinar a vida não tem nada que ver com floricultura.
às vezes as palavras começam
na ponta dos dedos
eu sigo com cuidado, para não descarrilar.

quem nos deixou com tanta mácula
e assim com tanto medo de errar
como de morrer?

atiro perguntas para cima deste campo de flores
e espero o pólen a massacrar-me com a verdade
se eu voasse
certamente que seria o céu muito mais pequeno
o mundo
ou talvez só o discurso
tem muitas possibilidades, ir é só um começo,
como falar que serve para tudo
e escrever para muito pouco.

serve para me esquecer desta paisagem
destes dedos
à procura de silêncio e sono.

apenas por minha culpa
ainda estou viva e quieta.

пятница, сентября 02, 2005

dos meus medos cuido eu, só não me chamem demasiado alto
que há nomes como funerais.
o fim do filme,no entanto, é aos 30
até lá tenho o privilégio da juventude inconsolável.
primeiro andamento:
é curioso como as árvores
caem sempre para o lado errado,
não seria assim?
à porta batem homens de país nenhum
vou com eles, sim, podes dizer-me adeus
desejar muito felicidade
dos meus medos, cuido eu
e quem me disse bom-dia
morreu,coitado.

вторник, августа 30, 2005

podes até ter muito jeitinho com as palavras, mas só me comoverias se as tuas mãos falassem assim bem. e, infelizmente, meu caro, as tuas mãos são analfabetas.