o que se faz aqui em paris? assim, uma pergunta que mais ninguém faria, só tu. ok, dizes, com muita fleuma, a fazer de conta que és outra coisa. sento-me no café e penso: acho que te vou escrever sempre, e sempre para ti,mesmo estes postais pirosos, de lugares que têm sempre legenda e muito photoshop. mesmo quando me rir para outros rostos e apertar mãos que não sabem nada de ti, nem de nós, vais ser sempre tu.
o sartre andou por aqui. talvez nesta mesa em que me sentei para conhecer de perto o meu corpo a beber um café que não me apetece.ou ali mesmo ao lado, um homem fuma devagar, o seu nome deve ser parecido com o teu, penso, talvez se o chamasse, dissesse murmurando o teu nome ele se virasse. talvez tu sejas melhor se fores a fingir.
somos um segredo, eu e tu, e é isso que não sei cansar. não sei cansar-me da festa que era quando vinhas, das noites que de repente eram um só palmo, de ser muito maior que todas as sombras.
posso caminhar por estes lugares onde nunca antes te vi e isso ser irrelevante. a cada rosto, rotina ou ponte és tu. tu a caminhar pela rua, la houchete abaixo, quase metafísico. tu a subir até aos lábios um cigarro quente. tu a ler no metro, a descer em saint-michel para nunca mais te ver na vida. tu, o americano chato que pede vinho. tu a criança que correu muito, fugindo ao sinal vermelho. tu este dia, este je suis desolée, este vento que aqui não sopra.
há muitos espelhos aqui e todos me repetem: o rosto é a primeira paisagem por onde seguimos sós.
talvez se fosse outro lugar, talvez se houvesse anjos e não perfume por todo o lado, talvez se fosse menos bonito olhar o outro lado e do outro lado ainda ser paris, talvez chegar e recomeçar a perda, outra vez, desta vez acerto, perco-te todo.
só tu me dirias, o que se faz aqui em paris?, se estivesses por perto, ao meu lado , a transpirar em conjunto a tarde quente de junho pela boulevard saint-germain.tantas louras, indo e vindo, sapatinhos delicados, tudo certo, bon chich, bon genre, bcbg, aqui toda a gente sabe isso, mas tu não. e achas o sartre um chato, ias olhar a minha marguerite sobre a mesa e sorrir, distante, que mania a dela, pensarias, estes tipos todos, o saco dos livros, isto tudo , esta gente, onde estamos afinal, o que se faz aqui em paris? eu a fugir de mim, aposto que quando voltar aprendo, vou perder-te inteirinho, desta vez é que é.
aqui em paris? aqui em paris, sentamo-nos no café, abrimos o livro e fazemos de conta que já passou.
o sartre andou por aqui. talvez nesta mesa em que me sentei para conhecer de perto o meu corpo a beber um café que não me apetece.ou ali mesmo ao lado, um homem fuma devagar, o seu nome deve ser parecido com o teu, penso, talvez se o chamasse, dissesse murmurando o teu nome ele se virasse. talvez tu sejas melhor se fores a fingir.
somos um segredo, eu e tu, e é isso que não sei cansar. não sei cansar-me da festa que era quando vinhas, das noites que de repente eram um só palmo, de ser muito maior que todas as sombras.
posso caminhar por estes lugares onde nunca antes te vi e isso ser irrelevante. a cada rosto, rotina ou ponte és tu. tu a caminhar pela rua, la houchete abaixo, quase metafísico. tu a subir até aos lábios um cigarro quente. tu a ler no metro, a descer em saint-michel para nunca mais te ver na vida. tu, o americano chato que pede vinho. tu a criança que correu muito, fugindo ao sinal vermelho. tu este dia, este je suis desolée, este vento que aqui não sopra.
há muitos espelhos aqui e todos me repetem: o rosto é a primeira paisagem por onde seguimos sós.
talvez se fosse outro lugar, talvez se houvesse anjos e não perfume por todo o lado, talvez se fosse menos bonito olhar o outro lado e do outro lado ainda ser paris, talvez chegar e recomeçar a perda, outra vez, desta vez acerto, perco-te todo.
só tu me dirias, o que se faz aqui em paris?, se estivesses por perto, ao meu lado , a transpirar em conjunto a tarde quente de junho pela boulevard saint-germain.tantas louras, indo e vindo, sapatinhos delicados, tudo certo, bon chich, bon genre, bcbg, aqui toda a gente sabe isso, mas tu não. e achas o sartre um chato, ias olhar a minha marguerite sobre a mesa e sorrir, distante, que mania a dela, pensarias, estes tipos todos, o saco dos livros, isto tudo , esta gente, onde estamos afinal, o que se faz aqui em paris? eu a fugir de mim, aposto que quando voltar aprendo, vou perder-te inteirinho, desta vez é que é.
aqui em paris? aqui em paris, sentamo-nos no café, abrimos o livro e fazemos de conta que já passou.

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